... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Ele não sabe ofertar amor e sim a dor...

"Quando você
Me esquece
Você faz questão
De não sentir
Para não
Sofrer"
Nely Nazareth



Triste pela negativa de aproximação de forma civilizada, já que a angústia da perda de vínculo afetivo era evidente e, por mais que eu tentasse a permanência da amizade pelos tantos anos juntos, chorei muito àquele episódio injusto de acusação imputada sem motivos.

Ademais, desde o impedimento em nos manter unidos pela interferência externa de intrusão fomos perdendo laços e nos tornamos estranhos. Era uma grande perda significativa, comprovando a mesquinhez de sentimentos, quiçá ingratidão. 

Desta forma, para preservar minha pouco auto-estima que restava, evitava contato direto, a não ser para tratar os interesses restantes. Então, toquei o botão do elevador e adentrei quando inesperadamente me deparei com ele. 

Seu semblante sempre pesado, a aparência quase que desconhecida pelas marcas pesadas do tempo e o cheiro mofado de esquecido... Senti uma mistura de pena com desprezo, pena pelo impedimento de manter nossa amizade e desprezo pela sua prepotência de me jugar inferior. 

Na verdade, ele nem merecia meus poucos sentimentos depois de tudo que me fizera. Mas, tenho tanto amor que posso ofertar o que se esbanja, enquanto ele tão vazio de sentimentos, jamais poderá se sentir amado e se presta a ocupar um lugar clandestino. 

Quem coloca os sentimentos dos outros acima do seu individualismo e pouco se importa em magoar, não sabe ofertar amor e sim a dor. São pessoas egoístas que acabam solitárias mergulhadas na própria vida vazia. Pois, somente as emoções preenchem-nos. 


domingo, 20 de julho de 2014

Pessoas saem e entram na minha vida, numa mistura de sentimentos em busca da minha reconstrução...


“... Na melancolia, as ocasiões que dão margens à doença vão em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para relação sentimentos oposto de amor e ódio..” Freud

Eram perdas tão significativas que minha estrutura emocional parecia sucumbir a qualquer momento numa profunda melancolia sem fim. Já não havia mais como resgatar meu ego, perdido em sentimentos rejeitados. Impossibilitando assim, minha tomada de auto-estima. 

Àquela melancolia, me estagnava retirando minha vitalidade. Anos se passavam como minutos, e eu me mantinha refém das perdas emocionais. Pois, cada perda levava um pedaço de mim mesma. E, foi assim, quando perdi meu casamento, estendido à família. As crianças nasciam e meus sentimentos não eram mais compartilhados. 

Parece que a dor da exclusão familiar se eternizaria... Mas, é preciso se reconstruir das perdas e a única forma possível é permitir a entrada de novos vínculos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Então, você está infeliz e me culpa... ?



Se você é capaz de me odiar, mesmo depois da covarde apunhalada pelas costas que me fez agonizar até sucumbir minha auto-estima, é porque vive assombrado pelos fantasmas. 

Fazer o mal, magoar sem motivos, causar dor e sofrimento a quem sempre lhe foi leal será o seu eterno calvário nas sombras do inconsciente.

Sua infelicidade é a prova concreta de todas as injustiças cometidas à mim. Pois, ninguém em nenhum momento da sua vida foi capaz de lhe amar tanto como eu amei você. 

Nos momentos mais difíceis estive ao seu lado, lhe apoiando; sofri com os seus fracassos, sua ausência e jamais me omiti em lhe estender a mão. 

Assim, quando veio o sucesso, você me descartou e vive no esplendor da aquisição de bens, viagens, bons restaurantes, numa vida social que jamais me proporcionou. 

Ora ! Mesmo assim, não está feliz ? O que mais você pretende me arrancar ? A vida ?

A farsa da subjugação...

"Os termos masculino e feminino são usados simetricamente apenas como uma questão de formalidade. Na realidade, a relação dos dois sexos não é bem como a de dois pólos elétricos, pois o homem representa tanto o positivo e o neutro, como é indicado pelo uso comum de homem para designar seres humanos em geral; enquanto que a mulher aparece somente como o negativo, definido por critérios de limitação, sem reciprocidade. ... Está subentendido que o fato de ser um homem não é uma peculiaridade. Um homem está em seu direito sendo um homem, é a mulher que está errada." Simone de Beauvoir in "O segundo sexo" 



Mulheres por uma questão de subserviência e complexo de inferioridade acabam se transformando em rivais na conquista amorosa. Enquanto que os Homens em seu narcisismo fomentam tal rivalidade. Pois, quando a Mulher se impõe repudiando esse lugar subalterno, o Homem se descontrola por não conseguir dominá-la e, então declara uma verdadeira guerra nos meandros da relação. 

Não foi diferente com Ana, quando se posicionou em seu relacionamento exercendo livremente suas posições e repudiando controle de poder. Entretanto, como seu parceiro não conseguiu viver uma relação de igualdade acabou sucumbindo ao subterfúgio da traição, utilizando a poderosa arma da deslealdade. 

Sentindo-se inferiorizado pela impossibilidade de domínio da parceira, optou por outra mulher padronizada à subordinação, principalmente como aliada da guerra subterrânea para afastar qualquer ameaça de reconciliação com a ex-parceira.

Todas as mentiras plantadas e engendradas pela nova parceira, buscam desqualificar Ana, quando na verdade quem é alvo da desavença e desmerece confiança é o próprio parceiro. Já que, sempre que se sente ameaçado corre para outras mulheres. 

Habituado a não se sentir apto para ser amado, insiste mesmo depois de toda crueldade emocional desferida à sua ex-parceira, a magoá-la e maltratá-la. Demonstrando assim, seu recalque e insatisfação diante da falsa subserviência da nova parceira. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Complexo de inferioridade...

"As pulsões são, no corpo, o eco do fato de que há um dizer." Jacques Lacan 



Olha para você !
Veja no que você se transformou.
Perdeu os olhos ternos.
Desbotou seu rosto.

Não há sorriso sincero.

Não há brilho no olhar.
Não há mais a beleza.

Olha mais uma vez !

Veja se é mesmo você.
Perdeu sua elegância.
Veste-se sem jeito.

Não há postura.

Não há altivez.
Não há mais auto-estima.

Olha bem lá no fundo !
Veja se você se reconhece.
Perdeu a alegria.
Vive uma farsa.

Não há generosidade.
Não há compaixão.
Não há verdade.

Agora, olha para o seu lado.

Veja com quem está.
Não se espelhe nisso.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

A espera ausente...


"Mas se algum dia você não vier depois do café da manhã, se algum dia avistar você em algum espelho, talvez procurando por outro homem, se o telefone toca e toca em seu quarto vazio, então, depois de indizível agonia, então – pois não tem fim a loucura do coração humano – procurarei outro, encontrarei outro você. Nesse meio tempo, vamos abolir com um sopro o tiquetaque dos relógios. Chega mais perto de mim."

Virginia Woolf in As Ondas

A angústia...

"Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios." Graciliano Ramos in Angústia 



O rádio-relógio toca um longínquo clássico, aos poucos se aproxima retirando minha alma do espaço onírico, trazendo-me a relutante realidade. 

É Ravel ! Despertando-me às 7:00 horas. Estou tão cansada para interromper meu sono adiado há semanas. Mas, o bolero me prende ao leito em devaneios de um passado saudoso. Enquanto, o presente me batuca anseios de um samba canção na dor-de-cotovelo.

As nostálgicas lembranças me deprimem. Remetem-me as torturas da alma, na covardia dos atos rasteiros que me destruíram o espírito. Foi tão difícil conseguir juntar alguns dos pedaços e, mesmo assim, minha estrutura ainda está machucada, por feridas que insistem em não cicatrizar. 

Meu esgotamento físico é por conta da carga emocional pesada demais que leva-me a exaustão. A alcova está larga, sem limites que possam reter-me ao aconchego. Estou completamente só, sem proteção e cheia de temores. 

São 8:00 horas, encolho-me nas cobertas da fantasia de um acalanto nostálgico que embora nunca tive, sinto saudades. Enquanto isso, a vida corre lá fora e estou aqui sem forças para levantar. 

Penso, amanhã resolvo tudo, mas há prazos e obrigações que não podem ser adiadas. Mesmo, sendo minha felicidade adiada. Sou prisioneira da vida que foi-me furtada. 

Não vou levantar ! Desligo o telefone e mergulho na minha angústia. Caio em prantos. Estou paralisada pela impotência em enfrentar meus fracassos e recomeçar do zero. Adormeço para fugir de todo sofrimento que me esgota. 

Logo, perdi mais um dia de vida que evito viver.

O amor incondicional...

"Pratiquem a bondade, não criem sofrimento, dirijam a própria mente." Buda



Eu ficava remoendo minhas mágoas quando via o sofrimento do meu Filho, diante da negligência afetiva paterna. Tentava de todas as formas penetrar no seu âmago e arrancar àquela dor. Mas, não tinha como revertê-la somente para mim e livrá-lo disso. 

Chocava-me a mendicância de afeto dele e a falta de compaixão do Pai, cuja situação de não saber se colocar no lugar do outro era evidente, como sempre fez em relação à mim, mas com o próprio Filho era inaceitável.   

O tempo passara e por mais que eu tentasse amenizar as consequências da nossa separação traumática, com aproximação e perdão, as mentiras permaneciam e nosso Filho constatava a falência emocional e me culpava da passividade diante da crueldade do Pai. 

Embora, eu reforçasse sempre que a minha relação com o Pai dele era totalmente diferente da dele em relação ao mesmo, a sua interpretação era o que importava, eis que tinha o pior juízo do Pai justamente pelo abandono afetivo. Assim, não surtia mais efeito fantasiar uma boa relação filial paterna, quando o tratamento aos irmãos era diferenciado. 

Meu filho se sentia o "Patinho Feio" pela exclusão sentimental de um Pai que transferia à ele todo ódio de mim. 

domingo, 6 de julho de 2014

O reflexo no espelho...

"Se a mulher foi, muitas vezes, comparada à água, é entre outros motivos porque é o espelho em que o Narciso macho se contempla; debruça-se sobre ela de boa ou de má-fé. Mas o que, em todo caso, ele lhe pede é que seja fora dele tudo o que não pode apreender em si, pois a interioridade do existente não passa de nada e, para se atingir, ele precisa projetar-se em um objeto. A mulher é para ele a suprema recompensa porque é sob uma forma exterior que ele pode possuir, em sua carne, sua própria apoteose." Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo



Eu estava tão reclusa mergulhada da minha solidão e me reconstruindo da separação que não tinha mais uma vida social. Já não recebia convites para festas, pois as pessoas acabam respeitando nosso ostracismo e passam a não contar com nossa presença na lista dos convidados.

Diante de um convite inusitado por um conhecido recente para acompanhá-lo à uma festa, despi-me da companhia do pijama, retirei o mofo do vestido e me arrumei para tal. Na última conferida ao espelho, vi-me cheia de vida, refletida como em tempos alegres. 

Era um encontro ao acaso, já que não conhecia ninguém, senão apenas um dos convidados que ao chegar lançou-me um largo sorriso. Bem como, outros tantos. Então, não contive a satisfação dos olhares admirados de vários homens pela minha presença.

Uma canção do poeta batucava na minha cabeça: 

"Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher, mil homens, sempre tão gentis
Por isso, para o seu bem, ou tira ela da cabeça
Ou mereça a moça que você tem"

A solidão era uma escolha e a desilusão me transformava numa nova mulher, segura das minhas qualidades, com a certeza de que eu saía limpa de um relacionamento, em que a outra parte por insegurança não teve a capacidade de me dar afeto.

Lembro-me dele altivo, alegre e até sociável na liberdade que o proporcionava viver ao meu lado. Talvez, o reflexo vislumbrado em seu espelho inconsciente fosse incompatível com seus sentimentos mesquinhos. Na verdade, o ele queria era ser dominado e jamais conseguiu lidar com a minha personalidade livre, sem a deslealdade.

Hoje, seu reflexo no espelho é tão medíocre pela escolha insensata que perdera sua alegria, não há mais brilho em seu olhar. Vive agora, uma falsa relação, da qual o reflexo é turvo, cheio de impurezas. Portanto, cerceado de ser ele mesmo.