... Em sentimentos que envolvem o universo feminino, pois “Não se nasce mulher: torna-se.” (Simone de Beauvoir)
A dualidade de sentimentos que envolvem o Universo Feminino.

São tantos os sentimentos em busca da identidade feminina, cujos contratempos das emoções transbordadas vão do êxtase secreto à cólera explícita...

Esse blog é um espaço aberto acerca de relatos e desabafos relativos as alegrias e tristezas, felicidades e angústias... Sempre objetivando a solidariedade e ajuda ao próximo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

De repente a vida começa a dar errado...

Àquela felicidade começa a se esvair como uma hemorragia
Sem ter meios de estancar, secando os corações
No desespero, brota a ira da revolta levando o amor
Aí, a união se desune pelo afeto derramado
E, então a vida dá errado... 


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alma...


"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!" Florbela Espanca

Nem na pobreza, nem na tristeza... Somente na riqueza e na alegria.

"Há sempre algo de ausente que me atormenta". Camille Claudel



São quinze minutos para às duas horas da tarde, mal chega a hora da consulta e Roberto está a minha espera ansioso, com um olhar angustiado de olhos vermelhos e inchados, provavelmente de chorar. Cumprimento-o e sento-me à poltrona, nem há tempo de abrir o bloco para anotações vem a enxurrada de reclamações e acusações contra a mulher que o abandonara depois de quinze anos de casamento.

Roberto era um empresário bem sucedido que não somente amargava uma falência econômica, mas também a conjugal. Aos cinquenta anos de idade, com dois filhos, se encontrava falido e abandonado por quem menos esperava, Carla, a mulher que amava e quem construíra uma família. Nestes moldes, eu era consultada para preparar sua defesa no divórcio. 

Uma empatia me abateu e me senti no lugar de Roberto, apesar ter passado por momento semelhante num passado quase que distante, mas ainda presente em sentimentos. Pois, quando estava casada vivi a mesma situação da falência do meu marido e amargamos momentos difíceis, mas jamais o abandonei. No entanto, Carla não suportou as dificuldades prementes e seu afeto esvaiu.

Mesmo assim, Roberto ainda a amava e estava disposto a aceitá-la de volta. Muito embora, ela estava decidida quanto ao divórcio e provavelmente, não retornaria por conta de um possível envolvimento extraconjugal. 

Imaginei o fracasso que se abatera à Roberto, com a perda de sua dignidade e da família repartida pela limitação de Carla em não suportar àquela situação. Logo, me lembrei de outro caso semelhante, em que a mulher havia abandonado o marido por conta do alcoolismo. Neste caso, a mulher mantinha casos extraconjugais, inclusive com homens casados e não hesitou em terminar seu casamento de anos, com três filhos, para se livrar dos problemas e da enfermidade do marido que se desencadeou durante a descoberta da sua infidelidade. 

Encerrada a consulta, me abateu uma tristeza por conta das minhas lembranças, dos anos que compartilhei todas as crises do meu relacionamento, do meu atraso profissional por me dedicar ao casamento e principalmente, da minha lealdade não reconhecida. Já que, quando nos estabilizamos dos problemas financeiros fui abandonada por uma amante bem estabelecida economicamente.

Aturdida peguei um táxi e não consegui me conter das lágrimas jorradas sem controle, quando o taxista aparentando uns trinta anos indagou se eu estava bem ou precisava de ajuda. Com a voz embargada respondi com dificuldade que estava tudo bem sim, e era apenas 'dor de cotovelo'. Mas, que depressa veio o comentário empírico: - Que loucura... !

Desci perto de casa e caminhei com a minha dor que segue sem passar, como um fantasma a me assombrar quando me deparo com situações em que a ingratidão e a deslealdade se tornaram lugar comum, destruindo o afeto.